sábado, 17 de maio de 2008

Reflexão sobre nossas mães

Li no livro "Mulheres que correm com os Lobos" que ao longo de nossas vidas, se formos sortudas, teremos várias mães além de nossa mãe biológica. Quem foram as tuas "mães da vida"? Sabe, aquelas mulheres que marcaram ou que continuam marcando a tua vida, por quem você sente admiração, carinho, em que você confia, aquelas mulheres que de alguma maneira são mais experientes que você e que foram generosas à ponto de compartilhar isso contigo, fazendo com que você se torne a pessoa que é hoje?

Uma coisa é certa: tem muita gente por aí precisando de uma boa mãe, de um colo de mãe, de um ombro de mãe, de um aconchego de mãe, de uma torta de mãe, de uma canja de mãe, de um conselho de mãe, da sabedoria de mãe, do instinto de mãe. É bom que tenhamos outras mães, pois elas nos ensinarão coisas que nossas mães não nos ensinaram. E as mães não deveriam levar isso pessoalmente, com ciúme das outras mães ou com possesividade, pois ninguém é de ninguém. Você não é somente minha mãe, como eu tampouco sou somente a tua filha. Em outras palavras, sou pela liberdade de ser mãe e filha de quem eu quiser. Sou pelo compartilhamento não egoísta da minha mãe. Se a minha mãe puder ser a "mãe da vida" de mais alguém, ficarei feliz.

Mas nem todos possuem tamanho altruísmo. Muitas mães sofrem ao verem seus filhos crescendo, se tornando cada vez mais independentes, criando laços com outras pessoas, adotando outros mentores para a vida, vendo isso como um abandono, sentindo com se perdessem sua função e seu papel de mãe. Muitas também se desesperam ao perceber que quanto mais cobram presença dos filhos, mais estes se distanciam. No entanto, a expansão dessa rede afetiva - que começa à ser tecida no momento em que a criança entra na escola, desenvolvendo-se à medida em que ela cresce - esta preparando-a para a vida !

A dificuldade vem às vezes do fato que muitas mães querem proteger os filhos do mundo. É um protege daqui, protege dali... Um medo que ele se machuque e não consiga levantar.
Esse medo é passado para o filho que se sente inseguro e incapaz. No entanto, a natureza nos ensina que às vezes os galhos frágeis precisam se quebrar para que nasçam galhos mais fortes. Talvez por isso alguns filhos sintam a necessidade de se distanciar de suas mães - para poder ter espaço para crescer e desenvolver a confiança em si, da mesma forma que uma planta precisa de um vaso maior para crescer.

Idealmente, esse espaço se expande aos poucos. Uma pessoa me ensinou que se plantarmos uma planta num vaso grande demais, essa planta pode morrer. O
novo vaso tem que ser levemente maior. A mudança desestabiliza a planta, pois leva um pouco de tempo para suas raízes sararem do traumatismo do transplante, assim como crescerem e se adaptarem ao novo meio. Vejo a maternidade como sendo semelhante (embora muito mais complexa) ao cuidar de uma planta. É um papel que não permite muita acomodação, pois seres em movimento e em crescimento requerem reajustes freqüentes e flexibilidade. Seres em crescimento provocam questionamento contínuo e atenção a esse mesmo processo.


Maíra C. Machado.

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